Medicos que tratam pe diabetico Dr Alejandro Zoboli
Você pisa em falso na borda da calçada ou sente o tornozelo virar durante uma partida de futebol e, em frações de segundo, o corpo envia um sinal de alerta. A dor é aguda, o inchaço é quase instantâneo e a dúvida surge: “será que quebrei ou foi só um mau jeito?”. No consultório, essa é a tríade que mais confunde os pacientes, mas, sob a lente da ortopedia e traumatologia, as diferenças entre entorse, luxação e fratura são abismais, tanto na biomecânica da lesão quanto no protocolo de reabilitação. A entorse é, essencialmente, uma lesão ligamentar. O tornozelo é mantido estável por um complexo sistema de ligamentos, sendo o ligamento talofibular anterior (LTFA) o mais comumente afetado em movimentos de inversão (quando o pé vira para dentro).
Tecnicamente, dividimos a entorse em três graus. No Grau I, temos um estiramento microscópico das fibras; no Grau II, uma ruptura parcial; e no Grau III, a ruptura total. O que define a gravidade aqui não é apenas a dor, mas a estabilidade mecânica da articulação. Um tornozelo com ruptura total pode apresentar o que chamamos de “gaveta anterior” positiva no exame físico, indicando que o osso talus está deslizando além do limite fisiológico. Já a fratura diz respeito à perda da integridade óssea. No tornozelo, as estruturas mais atingidas são os maléolos (as proeminências ósseas lateral e medial).
Uma fratura pode ser desde uma fissura capilar, difícil de detectar em raios-X iniciais, até fraturas cominutivas, onde o osso se fragmenta em vários pedaços. Um ponto crítico que analisamos é a estabilidade da pinça maleolar. Se a fratura compromete a sindesmose — a membrana que une a tíbia à fíbula —, a cirurgia ortopédica deixa de ser uma opção e passa a ser uma necessidade para restaurar a biomecânica e evitar uma artrose precoce. A luxação, por sua vez, é frequentemente confundida com a entorse na linguagem popular, mas é um evento muito mais severo. Na luxação, ocorre a perda completa da congruência articular.
Em termos simples, os ossos que deveriam estar encaixados perdem o contato físico. É uma emergência ortopédica clássica. Quase sempre, a luxação do tornozelo vem acompanhada de fraturas (fratura-luxação) e danos extensos aos tecidos moles, cápsula articular e, por vezes, comprometimento neurovascular. A deformidade visual é óbvia e o alinhamento precisa ser feito por um especialista o mais rápido possível para aliviar a pressão sobre a pele e os nervos.